domingo, maio 18, 2008

Peneira furada


O Brasil, desde sempre foi regido sob medidas provisórias. Mais de 500 anos se passaram e nossos governantes ainda não conseguiram se livrar dessa péssima herança portuguesa. Estamos sempre tapando o sol com a peneira ao invés de buscar uma solução definitiva, de consertar a raiz do problema. E a maioria desses problemas é decorrente de uma educação precária.
O governo entrega gratuitamente camisinha para que a população se proteja; pra quem não se proteje, ele dá a pílula do dia seguinte; quem engravida, ele dá a bolsa família. Uma sucessão de ações inócuas.
É o que acontece com o sistema de cotas. É uma subdivisão cultural indireta, imperfeita e oficializada. Beneficiar um grupo específico só porque, segundo estatísticas, são os que têm menor renda e, sendo assim, menor chances de conseguir estudar numa faculdade a fim de terem qualificação para competir no mercado de trabalho? Hipocrisia, racismo!
Quantos brancos que são pobres e têm que estudar em escola pública? As suas chances de entrarem numa faculdade são menores ainda, porque não entram nas cotas. E então têm que buscar outras formas de conseguirem manter o estudo, como financiamentos e etc.
Todos sabem e reconhecem que o ensino público está decadente. O estudante - seja ele negro, branco, pardo ou amarelo - não recebe estímulo para estudar. A maioria freqüenta as aulas porque precisa do diploma para acrescentar no currículo. Não conseguem idealizar um futuro pra si próprio, não vêem outra alternativa a não ser seguir o mesmo rumo do pai, da mãe ou se espelhar em algum amigo bem-sucedido.
Dar vantagens para os negros pode ser uma forma de tentarmos nos redimir com o passado, mas não passa de mais uma medida provisória e sem futuro.

→ Pauta sobre cotas para o TDB.

Um comentário:

Débora Poulain disse...

Também questiono a questão das cotas. Fico nessa dúvida sobre favorecer os negros desfavorecidos em vez de todos os desfavorecidos. Ouço, então, negros defendendo isso exatamente como uma estratégia de mudança cultural, em busca de rearranjar o espaço ainda marginalizado do negro na sociedade. É mais fácil discordar quando não estamos na pele, quando não sofremos o preconceito velado. Mas não seria essa uma forma de multiplicar o preconceito? Acho que a "filantropia" tem seus méritos, mas não se basta nem resolve. Finaliza-se em si mesma, como um recurso alternativo até que se dê continuidade com o que de fato é palpável.